Saidi

Saidi

Não poderíamos tratar do tema principal, sem antes abordarmos sua inspiração. O Raks al Assaya, ou dança do bastão, segundo pesquisadores, foi uma paródia à dança marcial masculina Tahtib. Ambas utilizam o mesmo ritmo musical em sua execução, o Saidi.

Tahtib
É uma dança marcial egípcia, executada com dois bastões longos de aproximadamente 1,60m, chamados Shoumas, tipicamente masculina. É originário da região do Norte Egito chamado Said, onde os homens egípcios usavam o cajado (mesmo instrumento carregado para caminhar, para se proteger em combates ou para pastorear rebanhos). Em ocasiões comemorativas, os homens dançavam usando este cajado, com marcações fortes de percussão (derbak, daff), guiado através de mizmar (aquela flauta que parece uma cornetinha de madeira, cujo som se assemelha ao de um mosquitinho), ao ritmo Said. Geralmente dois homens dançam juntos, aparentando e simulando uma luta. Eles fazem acrobacias com o bastão, demonstrando toda sua agilidade e habilidade, atacam e desviam os golpes de bastão um do outro.

As roupas utilizadas são as galabias, que podem ser 02 sobrepostas (uma colorida por cima e preta ou branca por baixo). Também usam kafias e tecidos enrolados na cabeça.
Já na versão feminina da dança, o Raks Al Assaya, que abordaremos mais detalhadamente, a seguir, nota-se movimentação mais delicada e graciosa comparando-se com a dança masculina.

Dança do Bastão

Saidi é o nome dado ao ritmo musical e estilo de dança folclórica egípcia típica da região de Porto Saidi, cidade localizada ao norte do Egito. Assim, a dança dos povos desta localidade recebeu esse nome. A mais conhecida delas é a dança feminina com o bastão, também chamada de Raks al Assaya (assaya é o nome do bastão usado para longas caminhadas).

A Raks El Assaya foi introduzida nos grandes espetáculos de Dança do Ventre pelo coreógrafo Mahmoud Reda. Fifi Abdo teria sido a primeira grande dançarina a apresentar performances com a bengala. Porém ela se apresentava com roupas masculinas.

Neste estilo as mulheres demonstram toda sua habilidade manobrando o bastão de várias formas sempre com muito charme e delicadeza. Ao dançar, a bailarina demonstra destreza, equilíbrio e sensualidade, e sua expressão deve ser de alegria. Os movimentos característicos são saltinhos, batidas, shimmies, além dos muitos movimentos com o bastão.

A inspiração para a dança da bengala, ou raks al assaya é o Tahtib, que é uma arte marcial masculina. As mulheres deram ao Saidi graciosidade e charme.

Em se tratando de apresentações em estilo folclórico deve-se usar a galabía (túnica árabe) ou como vemos atualmente, principalmente no ocidente, vestidos justos e decotados e outras variações menos comuns de vestido. O importante é que a vestimenta cubra o ventre. Pode ser de vários modelos, com abertura lateral, ou não, justo ou mais folgado, entre outros. Acessórios como xales, cintos, enfeites de cabeça, brincos de medalhas são bem-vindos.A roupa conhecida como bedlah (saia e bustiê – roupa padrão de Dança do Ventre) não deve ser usada para esta dança, para não desrespeitarmos a cultura cometendo essa gafe.

A curva da bengala deve estar geralmente pra baixo durante a dança. Mas também cabe lembrar que há bengalas sem essa curva, que se assemelham mais a um bastão. Qualquer um desses modelos é apropriado para dançar.

Assim como acontece com danças populares, a dança com a bengala é apresentada com um ritmo próprio, também chamado Saidi. Vamos conhecer um pouco sobre esse ritmo:

Ritmo saidi

Composição

É um ritmo de compasso 4/4, formado por um DUM inicial e dois DUMs no meio da frase. Assim, sua forma é o contrário do Baladi, em que os DUMs estão no início. A frase fica assim, se tocada completa:

  1         2         3            4       

DUM TAK DUM DUM TAKATA

Características

O ritmo tem marcações bem fortes, é vibrante e alegre. Acompanha instrumentos de percussão (tabla, derbake ou dumbek), rababa (violino) e o mizmar (flauta com som bem agudo).O Said é uma variação do Maksum, assim como o baladi. Seus marcantes e vibrantes “duns”, dão o tom maior ao ritmo, que normalmente é tocado numa velocidade mais elevada. Alguns chamam também de Ghawazee, (significa cigano em árabe), pelo fato de ser utillizada além de danças folclóricas com bengala ou bastão para homens e mulheres, tambem para danças de pandeiro, dançada pelos povos ghawaze.
No caso das mulheres, a dança ganha charme e feminilidade, combinando força e delicadeza. A destreza com o bastão também é ressaltada. A roupa tradicional é um vestido bem fechado, com mangas e sem muito decote, geralmente reto e com duas aberturas laterais. No quadril um cinto simples ou um tecido. O bordado é simples, muitas pastilhas. Pode-se usar lenços na cabeça.